terça-feira, fevereiro 13, 2007

Não existe autor desconhecido

Se tem uma coisa que me deixa irritada é essa mania que as pessoas têm de repassarem textos para a frente e atribuírem a outras pessoas. Recebi muitos poemas atribuídos à Clarice Lispector, por exemplo, que não têm absolutamente nada a ver com o estilo dela! Entretanto, há internautas que nem param pra pensar nessas coisas e ajudam a propagar essas farsas. Achei um blog muito bacana, Autor Desconhecido, que se dedica a provar que Autores Desconhecidos não existem, porque o que há de sobra na Internet são pessoas desatentas ou preguiçosas que não se preocupam em fazer uma simples busca na rede a fim de descobrir, por exemplo, que há uma porção de textos atribuídos ao Luís Fernando Veríssimo que ele jamais seria capaz de escrever! Quem conhece o estilo do Veríssimo sabe que nesses textos "falsos" dele há coisas que nunca combinariam com LFV. Dois exemplos que já no título denunciam esse espírito de farsa: "Um Dia de M..." e "Um Dia de Modess". Pergunto: por que internautas cometem essas bobagens?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Declaração de Amor de Clarice Lispector

Encontrei este texto no blog do Pablo Vilela. Eu, que estudei Letras, adoro Clarice e adoro a língua portuguesa, não resisti à tentação de surrupiar a maravilhosa declaração lispectoriana e trazer para cá. Porque citar Clarice, sempre que possível, é para mim um dever cívico. ;)

Declaração de Amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A criança dentro de mim

Quando eu era criança, queria ser atriz. Esse desejo brotou quando vi a primeira peça de teatro da minha vida, uma montagem de "Pluft, o Fantasminha", uma peça da Maria Clara Machado que contava a história de um fantasma criança que tinha medo de gente, o que mostra que tudo na vida é uma questão de perspectiva. A peça era linda, mas eu fiquei mesmo fascinada pela garota que fazia o papel da Maribel, que se tornava amiga do Pluft, superando o medo que ela tinha de fantasmas, e vice-versa. Adorei a idéia de, em cima do palco, eu poder me tornar outra pessoa, completamente diversa daquela que sou na realidade, exercendo minha pluralidade ao ser diversas mulheres numa só.

Dizem que sou moleca, e adoro quando dizem isso. :) Quando supero a timidez que me trava em um primeiro contato com pessoas que ainda não conheço bem, torno-me uma menina brincalhona, que vive fazendo pequenas travessuras a fim de fazer outros sorrirem. Além disso, adoro brincar com meus primos mais novos de corre-corre e esconde-esconde. Ah, e já mandei uma foto minha pra ver se ganho o XBox 360 dessa promoção do Yázigi, pra ver se finalmente promovo aqui em casa uma competição de videogame com minha primarada. Minha mãe é quem não vai gostar muito da história...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Só sei que nada sei

Toda vez que alimento a ilusão de que tenho certeza sobre alguma coisa, eis que minhas convicções levam uma rasteira e sou obrigada a repensar meu ponto de vista. Volta e meia essas reviravoltas acontecem, e, infelizmente, muitas vezes por causa de "amigos" que me decepcionam com alguma atitude. Quando era criança, ficava horas pensando num verso de uma música dos Engenheiros do Hawaii, que dizia: "A dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza". Sobre a segunda parte do verso, concordo sem hesitação, até porque todas as certezas se dissipam de um momento para o outro. Mas ainda não consegui entender totalmente a primeira parte. Em uma busca que fiz no Google, descobri que essa frase é citação de um livro do Jean Paul Sartre, o que só piorou as coisas: tem coisa mais complicada que teoria filosófica de autor francês? Nessas horas eu me sinto mais loira do que nunca... E ainda estou com essa dúvida. Qual o significado desse verso da música?